segunda-feira, 25 de junho de 2018

Opinião: And Then There Were None, de Agatha Christie


And Then There Were None (na tradução portuguesa: As Dez Figuras Negras) é um dos romances mais conhecidos da escritora britânica Agatha Christie. Estamos perante um grupo de dez pessoas que se vê numa ilha devido a um convite de um homem misterioso. Todos os convidados aparentam ser muito diferentes, mas têm algo em comum: passados enigmáticos e duvidosos. Mal chegam à ilha, coisas estranhas acontecem e os convidados, um a um, vão morrendo inexplicavelmente.

Foi a primeira vez que li um livro de Agatha Christie e penso que foi a melhor maneira de começar a aventurar-me pelos reinos da rainha dos livros policiais. Com uma escrita muito acessível e um enredo aparentemente simples, And Then There Were None é um romance que aborda de forma impecável a moralidade e os aspetos negativos do ser humano, como a ganância, o ciúme e a obsessão. Ao apresentar personagens moralmente cinzentas, o leitor sente-se cativado por não saber se deve confiar nelas ou julgá-las. O bichinho da curiosidade está sempre presente e devora-nos no fim, isto é, quando se revela finalmente quem está por detrás dos crimes.
Os crimes cometidos pela figura misteriosa, ao estarem ligados à maneira de ser das personagens, tornam o romance mais rico, bem como os crimes cometidos, ou não, pelas próprias personagens.


And Then There Were None - I really want to see this.
Imagem da adaptação televisiva do And Then There Were None da BBC.

Normalmente, as pessoas preferem histórias policiais no formato televisivo. Portanto, é preciso muito talento para um escritor poder agarrar a atenção daqueles que adoram enigmas. Agatha Christie é, de facto, um sucesso literário, pois, apesar de ter lido apenas um romance dela, é notável como ela organiza as suas histórias. Ela tem um estilo de escrita claro e o enredo é apresentado de forma muito direta, mas sem perder o seu caráter misterioso. É impossível o leitor perder-se no fio condutor criado por Christie e ela sabe partilhar os detalhes importantes, sem perder tempo em vaguear por caminhos inúteis. Ela expõe a informação necessária a nível da ciência forense sem que o leitor se sinta ignorante relativamente ao assunto. 
São também admiráveis os crimes que ela imaginou para cada personagem. Representam, de facto, várias fraquezas do ser humano. Adorei, por exemplo, o caso de Vera Claythorne, que cometeu um crime atroz, mas teve o final que merecia. Vemos, até ao fim, o seu conflito interior e como a morte dela pode até ser uma liberdade para ela. É também interessante a forma como a justiça é vista neste romance. Ela é, de facto, cega e defende a igualdade. Temos pessoas, pobres e ricas, importantes socialmente ou não, com bons ou maus empregos, que são castigadas de qualquer forma. Não há privilegiados.


Imagem retirada do Pinterest.

Embora o enredo seja intrigante, penso que as personagens não foram suficientemente desenvolvidas. Como temos tantas pessoas que podem, ou não, ter cometido crimes, cada uma delas foi explorada tendo como base esses mesmos crimes. Contudo, nem todas foram muito bem examinadas. Portanto, o ponto fraco deste livro é o facto de se dar mais relevo aos crimes em si do que às próprias personagens, havendo apenas, talvez, duas exceções.


Concluindo, para quem não está habituado a ler policiais, mas gostaria de não só ler este tipo de histórias, como também conhecer o grande fenómeno literário que é Agatha Christie, acho que And Then There Were None é o romance ideal. Não há ponta soltas, não há detalhes em excesso e é fascinante a forma como se aborda a presença ou a falta de moralidade do ser humano.


Classificação: 4/5 estrelas. 






1 comentário:

  1. Olá!
    Este também foi o meu primeiro livro da autora e gostei bastante.
    Concordo contigo, é um livro que se lê muito bem e que se compreende ainda melhor, o que nem sempre acontece em livros publicados há tanto tempo como este.
    O final apanhou-me completamente de surpresa, não apenas a última morte, mas o final em si. É um livro incrível e, como referes, retrata perfeitamente a sociedade.
    Ainda não vi a adaptação do livro mas tenho mesmo de o fazer!
    Boas leituras.
    - Mad (http://presa-nas-palavras.blogspot.com)

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