sábado, 6 de janeiro de 2018

Opinião: Winter (#4 The Lunar Chronicles), de Marissa Meyer



Winter é o quarto e último capítulo da luta de Cinder contra a rainha de Luna, Levana. Neste livro, acompanhamos a princesa Winter, a adaptação da Branca de Neve. Winter é enteada da rainha Levana, que não gosta dela, pois o povo de Luna venera e ama imenso a inocente rapariga que, ao contrário dos restantes habitantes de Luna, não usa os seus poderes de manipulação. Por isso, passou a vida a ver coisas que não existem e é gozada pela corte que, ainda assim, a admira. Tendo como único verdadeiro amigo um fiel guarda, Jacin, Winter faz todos os possíveis para que haja justiça no reino da madrasta. Junta-se, então, a Cinder e aos restantes elementos do grupo que pretende libertar não só o planeta Terra, mas também Luna das garras do reinado de horror de Levana. Finalmente em Luna, mas sofrendo ataques planeados pela malvada rainha, como irá Cinder ter sucesso na sua demanda?


Winter foi um desfecho maravilhoso desta coleção de Ficção Científica fantástica. Nota-se o cuidado em ter um final estrondoso e bem planeado, para que não fosse um fim rebuscado e forçado. Com um ritmo um pouco mais lento do que os restantes livros, este último volume mostra melhor que, de facto, há uma guerra a acontecer e que não há tempo para conflitos amorosos, embora o amor esteja sempre presente como uma força que move e inspira as pessoas. Aborda questões sensíveis como a saúde mental e a importância da beleza numa sociedade superficial e obcecada pela ideia de perfeição e de poder. É aqui que as personagens se desenvolvem ainda mais e se tornam cada vez mais reais. A escrita também é mais cuidada e nota-se a maturidade criativa.


Fanart de Winter.


Em relação à linha narrativa, gostei de como a autora equilibrou a sua paixão por Sailor Moon com a tradicional história da Branca de Neve, adicionando a sua capacidade de transformar história já muito conhecidas. É o livro mais "pesado" por retratar mortes, dor, cenas de luta e de tortura, mas não ficam de lado o amor, a amizade e a esperança. Adorei os elementos que nos fazem lembrar a história da Branca de Neve, como a substituição da maçã envenenada por um doce contaminado pelo vírus que tanto assombra a Terra e uma máquina hospitalar a substituir o caixão de vidro. É também inteligente usar as personagens principais dos restantes livros como representantes dos Sete Anões. Portanto, o trabalho de adaptação/transformação foi muito bem executado e este livro foi o melhor nesse aspeto.



Fanart de Winter.



A escrita é mais versátil. À medida que lemos os diferentes pontos de vista das personagens, é notável a capacidade em realçar a personalidade da personagem que é destacada num determinado capítulo. Embora não tenhamos um narrador autodiegético (em primeira pessoa), a autora é suficientemente talentosa em transmitir a essência das personagens nos diferentes capítulos em que se destacam.


Quanto às personagens, vê-se o crescimento relativamente às prioridades atribuídas à formação das mesmas. Por exemplo, nos livros anteriores, notava-se mais a presença do amor entre os pares e, em Winter, temos isso em segundo plano e o leitor fica com a ideia de que, afinal, isto não é um conto de fadas. É também interessante a exploração da temática "bem vs. mal", na medida em que as personagens consideradas boas percebem que, por vezes, é necessário cometer erros e recorrer a atitudes que pertencem ao lado do "mal".





Em suma, Winter é um livro não só espetacular a nível formal, como também quanto às personagens que habitam este universo extremamente interessante e não tão diferente da nossa realidade. Tem muitas lições fundamentais para a sociedade, como a importância da igualdade de direitos, o caráter prejudicial do racismo e a aceitação da diferença como meio caminho andado para uma solução pacífica. Esta coleção, em geral, não é um conto de fadas, mas apresenta um mundo fascinante.




Classificação: 4.5/5 estrelas.




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