sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Opinião: Cress (#3 The Lunar Chronicles), de Marissa Meyer



Cress é o terceiro livro da coleção The Lunar Chronicles, de Marissa Meyer. Desta vez, estamos perante uma adaptação de uma outra história conhecida do público geral, a da Rapunzel. Aqui, temos Cress, uma rapariga ingénua e inteligente que passou grande parte da sua vida num satélite a servir, como especialista informática, a rainha Levana. Ao entrar em contacto com Cinder e o grupo de novos amigos dela, Cress compreende que pode remediar os erros que fez sob o comando de Levana e concretizar os seus sonhos. Mas os planos não correm bem quando acaba num deserto com o "capitão" Carswell Thorne, um jovem rebelde e engraçado. Como irá Cinder conseguir desafiar a rainha Levana ao enfrentar tantos obstáculos? Como irá Cress lidar com uma realidade totalmente diferente daquela que conhecia desde criança?





Foi um enorme prazer este livro! Meyer, neste terceiro volume, mostra que as mulheres fortes não têm que ser necessariamente apenas guerreiras. Podem ser tudo o que quiserem. Aqui, temos uma rapariga que nunca tinha saído do seu satélite e, por isso, era muito sonhadora. Nunca teve grande contacto humano, mas isso não a tornar incapaz de sentir compaixão. Apesar de ter traços típicos de uma "donzela em apuros", ela não deixa que o medo e ansiedade vençam e avança com os seus planos. Além disso, a sua "profissão" não é vista como sendo comum para mulheres, pois é uma "hacker" e possui um excelente conhecimento informático. Todas estas inovações foram muito bem conjugadas com a história da Rapunzel. Contudo, neste caso, embora Cress seja salva por um rapaz e tenha estado presa num satélite (o que foi uma estratégia muito inteligente para substituir a tão conhecida torre e adaptá-la a esta coleção de Ficção Científica), ela não é tão fraca como aparenta ser, simplesmente é forte à sua maneira.
Carswell Thorne é uma das personagens masculinas mais engraçadas de sempre. Brincalhão, sedutor, aventureiro, mas com um coração mole. Ele aprende imenso acerca de si próprio e o mesmo acontece com Cress em relação a si mesma. Formam um casal que é capaz de derreter o coração de qualquer leitor. Este casal é um dos meus favoritos agora.
As restantes personagens, como Cinder, Scarlet, Kai e Wolf, também aparecem neste livro e os fios narrativos de cada um conjugam-se perfeitamente com os fios de Cress e de Thorne, sendo que há uma junção muito bem conseguida ao longo da leitura. É essa mesma junção que, na minha opinião, tornou esta coleção conhecida pelo mundo fora.


Fanart de Cress no satélite.



Não posso dizer nada de novo em relação à escrita, nem quanto à forma como o enredo é criado e apresentado. A escrita continua simples e cativante. A construção da história em relação ao conto que tem como base, tal como os livros anteriores, é impecável. Acrescento que, neste caso, foi ainda mais original. A escritora desafiou ainda mais esse processo de adaptação e é a já conhecida profundidade de personalidades que reforça isso mesmo.



Fanart de Cress inspirada no filme Entrelaçados.



Em conclusão, Cress foi, para mim, uma experiência fantástica, que aqueceu o meu coração com personagens encantadoras e uma história sobre o poder e a força que temos, mas que podem estar muito bem escondidos no nosso interior. É, ainda, um livro importante por mostrar uma grande variedade de personalidades, principalmente as das personagens femininas. É mais uma prova de como a Ficção Científica não é apenas para "rapazes", mas sim para todos os que simplesmente apreciam a aplicação da ciência na ficção.




Classificação: 5/5 estrelas.




Sem comentários:

Enviar um comentário