terça-feira, 5 de setembro de 2017

Opinião: A Ilha das Quatro Estações, de Marta Coelho






A Ilha das Quatro Estações é um romance de Jovens-Adultos contemporâneo que se centra em quatro personagens, Catarina, Santiago, Misha e Rute, embora tenhamos apenas dois pontos de vista, o de Catarina e o de Santiago. Os quatro jovens encontram-se na Ilha das Quatro Estações, um lugar pacífico para jovens com problemas pessoais. A Ilha encontra-se, de facto, dividida em quatro partes, cada uma correspondendo a uma estação do ano. Neste local, os jovens irão viver momentos intensos e aprenderão a lidar com os seus problemas. No entanto, nem tudo é tão bom quanto isso e há mistérios por descobrir e segredos por desvendar.


Tinha grandes expetativas em relação a este livro quando o comprei. Tinha lido algumas críticas muito positivas e não encontrei nenhuma crítica razoável ou negativa. Muitos disseram que era um livro com uma escrita simples e que consegue captar a nossa atenção rapidamente. Além disso, disseram que os problemas de cada personagem foram bem abordados e são problemas muito atuais e que farão o leitor sentir compaixão e refletir. Concordo com estas afirmações e acrescento que é bom que haja autores portugueses a escrever livros YA (Young Adults, ou seja, Jovens-Adultos), mas, ainda assim, não gostei tanto quanto queria.


O enredo é enriquecido pela forma como as personagens lidam com os seus problemas pessoais. Temos desde a violência no namoro até depressão, mortes de pessoas queridas até vidas estragadas por coisas que poderiam não ter acontecido. Efetivamente, o livro é muito bom nessa parte, na forma como esses problemas são abordados e vividos pelas personagens. Contudo, a partir da sinopse, estava à espera de mais mistério e, talvez, de um certo toque de magia ou algo assim. Não foi explicado como é que a ilha funciona com as quatro estações do ano e, na verdade, esse assunto nunca foi referido pelas próprias personagens. Um outro ponto fraco do enredo é o excesso de clichés e, por sua vez, a falta de surpresa em relação a certos episódios da história. Foi importante o foco nos assuntos pessoais, mas o enredo não deveria ter ficado por aí. Foi bom ver diferentes tipos de relações entre pessoas, mas o foco nelas não deveria ter sido tão grande como foi. Uma outra coisa que eu não gostei foi do final abrupto e com pontas muito soltas. Os tais mistérios sugeridos pela sinopse foram levemente mencionados apenas nos últimos capítulos e nem foram tão especiais quanto isso. É bom que haja a sensação de que poderá haver um segundo livro, mas o fim foi mesmo muito rebuscado e os mistérios foram apresentados de uma forma rápida, mas nada alucinante. Deste modo, fiquei desiludida com o enredo em si.


Quanto à escrita, é, de facto, simples, mas, tal como o enredo, acaba por ter clichés. Muitos diálogos forçados e não tão genuínos quanto a autora tenta transparecer. Compreendo que o objetivo tenha sido apresentar conversas emocionantes relativamente aos problemas mencionados ao longo do livro, mas falta espontaneidade. Ainda assim, é a escrita ideal para jovens que não leem muito, pois, apesar destas falhas, o livro é, ainda assim, cativante e, apesar dos temas abordados, leve.



As personagens são, então, o ponto forte da história. Muito inspiradoras devido à sua resiliência e à forma como lidam com os seus problemas e com os dos outros. São personagens cheias de garra e de amor e podem ser bons modelos para o leitor.


Concluindo, A Ilha das Quatro Estações é um livro inspirador e uma aposta decente para jovens leitores. Todavia, peca pela forma como o enredo foi desenvolvido e pelos clichés abundantes. Ainda assim, a sua leitura consegue ser uma experiência positiva.



Classificação: 3/5 estrelas.





2 comentários: