quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Opinião: Endgame- A Chave do Céu, de James Frey e Nils Johnson-Shelton




Neste segundo volume da trilogia Endgame, são narrados os acontecimentos que ocorreram imediatamente depois de um dos Jogadores ter alcançado a Chave da Terra. Agora, com apenas 9 Jogadores vivos, todos começam a lutar por motivos diferentes e com meios diferentes. O que importa é encontrar a Chave do Céu, que, talvez, seja capaz de mudar o rumo do Jogo criado pelos keplers. No seguimento do Jogo, há cada vez mais dúvidas, mas, também, mais esperança. Afinal, talvez seja possível parar o Jogo e, por sua vez, evitar o fim da Humanidade tal como a conhecemos.
 
 
Para quem não leu a minha opinião sobre Endgame- A Chamada, posso dizer-vos que adorei o primeiro livro!  De facto, dei 5 estrelas pela escrita simples, que tornou a leitura viciante, e pelo enredo estrondoso e repleto de ação. Quanto a este segundo livro, não o achei tão empolgante quanto o primeiro.
 
Neste segundo livro, a escrita simples mantém-se, mas eu não fiquei viciada na leitura. Algumas descrições de cenas de ação eram um pouco confusas ou tinham demasiados detalhes desnecessários para a história. No entanto, ainda há frases curtas e diretas. Quando se muda de capítulo, muda-se de perspetivas e, quando isso acontecia, a escrita adaptava-se à personalidade da personagem em questão, revelando a grande maleabilidade dos autores.
 
O enredo é mais complexo, pois o Jogo complica-se e há apenas 9 Jogadores, uns sedentos por sangue, outros em desespero e outros a lutarem pelo bem. Além disso, há entidades governamentais que acabam por se envolverem no Jogo e o mundo inteiro passa a saber da existência do Endgame. Há, ainda, uma grande exploração quanto ao lado humano de cada Jogador e ao estado psicológico deles, tornando a leitura muito interessante sob um ponto de vista moral. Ainda assim, o enredo só conseguiu cativar-me a partir da segunda metade do livro, quando os Jogadores estavam a aproximar-se da Chave do Céu. Até então, só temos o reforço das capacidades quase sobrenaturais das personagens e o aparecimento de outros ramos narrativos que, praticamente, caíram de paraquedas. Parece que serviram para "encher chouriços" ou, então, eram como explicações demasiado rápidas para certos momentos da ação. Por exemplo, de repente aparece um deus maligno que um dos Jogadores tinha mesmo que destruir, embora isso nunca tivesse sido mencionado no primeiro livro. O deus nem sequer estava associado ao Jogo, mas sim à cultura desse Jogador. Ainda assim, foi algo muito rebuscado e que surgiu do nada. Apesar disso, a história continua a ser entusiasmante e original.
 
As personagens continuam a ser o ponto forte desta trilogia e gostei da maior exposição relativamente ao estado psicológico e emocional de cada uma. Temos os psicopatas e temos os que ainda não têm o seu lado humano totalmente destruído. Foi muito bem feita a distinção entre ser-se Jogador e ser-se humano. No primeiro livro, os autores deram mais atenção às personagens como Jogadores, adolescentes com sangue frio capazes de matar qualquer um que os impedisse de alcançar os seus objetivos. Neste livro, os pensamentos das personagens revelam-nos que eles não são soldados sem coração, mas antes jovens que foram ensinados a combater e a lutar até à morte, embora isso os afetasse profundamente (pelo menos, alguns deles). Uma das minhas personagens preferidas é o Jogador chinês, An Liu, e ele é um grande psicopata, mas continua a ser uma personagem fascinante. É muito interessante ver como um jovem psicopata, nestas circunstâncias, funciona.
 
Concluindo, Endgame- A Chave do Céu tem uma linha narrativa mais complexa e personagens mais reais, cheia de revelações surpreendentes e com episódios de ação muito cinematográficos. Pode não ter captado tanto a minha atenção quanto o primeiro livro, mas, como segundo livro de uma trilogia, é muito bom.
 
 
Classificação: 4/5 estrelas.
 
 
 

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