quarta-feira, 5 de julho de 2017

Opinião: City of Fallen Angels (The Mortal Instruments #4), de Cassandra Clare


Os Instrumentos Mortais, no início, estava destinado a ser apenas uma trilogia. Contudo, em 2010, a autora anunciou que iria escrever mais três livros e que os via como uma segunda trilogia. Em 2011, publicou City of Fallen Angels (na versão portuguesa, A Cidade dos Anjos Caídos). A história do quarto volume tem como ponto de partida a nova vida de Simon Lewis como um vampiro que, na realidade, não é afetado pelo sol e tem a Marca de Caim na testa, que o protege de qualquer mal. Tal não significa que ele não corra perigo por ser sido constantemente contactado por seres poderosos para formarem alianças com ele. Ao mesmo tempo, Caçadores de Sombras morrem de forma misteriosa e Clary descobre que há alguém a tentar transformar bebés em seres demoníacos. Após uma guerra sangrenta contra Valentine, como irão os jovens Caçadores de Sombras lidar com os novos obstáculos?



É interessante ver como Cassandra Clare, após A Cidade de Vidro, que foi um ótimo desfecho da trilogia, conseguiu pegar novamente nestas personagens e criar uma história completamente nova, conseguindo manter a essência das personagens. Mas, tal como aconteceu na primeira trilogia, neste quarto livro temos, ainda, um foco enorme em torno das relações amorosas das personagens e, por vezes, eu sentia que a autora se esquecia da nova linha narrativa fantástica que tinha acabado de construir.


Fanart.


A escrita de Clare mantém-se simples e repleta de frases bonitas acerca do amor e da vida em geral. As descrições continuam a ter os pormenores na quantidade certa e, portanto, é uma escrita que não é aborrecida. Um outro aspeto importante é o facto de ser possível facilmente visualizarmos, por exemplo, uma cena de luta, como se estivéssemos a ver um filme. Continua, então, a ser o ponto forte das suas obras.

Quanto ao enredo, acho-o ainda mais fascinante do que os três livros anteriores. Pode-se dizer que a primeira trilogia era um pouco mais cliché, pois estamos perante uma protagonista que descobre que, afinal, não é totalmente humana, que possui poderes e que tentar aprender a viver no novo mundo que lhe foi desvendado. Além disso, ela acaba por ser uma peça fundamental na grande guerra contra um inimigo sedento por poder e é, de certo modo, a salvação do mundo dela. Neste quarto livro, a atenção não se centra só na protagonista, mas também nas restantes personagens que lhe são importantes, como Simon. Há, ainda, novos temas retratados, mas de forma metafórica, como a homossexualidade, a ideia de aceitar outrem tal como ele é, etc. Penso que aquilo que, de certa forma, "estragou" a história foi, mais uma vez, o excesso de atenção relativamente às relações amorosas. Clare criou personagens tão singulares e variadas, mas transmite a ideia de que elas, na realidade, não têm valor nenhum se não estiverem numa relação amorosa. Este excesso de atenção também atrasa o desenrolar da ação e faz com que o leitor sinta cansaço por ver sempre o mesmo tipo de relações. Torna-se repetitivo e não se explora o mundo sobrenatural tão bem como merece ser explorado. O que salva o livro são os últimos capítulos. Não quer dizer que os anteriores não tenham sido bons, mas os últimos dois ou três capítulos foram espetaculares e deram logo um novo valor ao livro. A minha classificação não seria a mesma se Clare não tivesse escrito estas últimas páginas.
Tirando essas situações monótonas, a história é muito boa e cativante. Há uma nova exploração quanto à dicotomia do bem/mal, do correto/incorreto. O regresso de certas personagens é uma estratégia que funciona muito bem nesta continuação e é algo que foi feito de forma inteligente, não havendo a sensação de que elas caíram de paraquedas no novo volume. 



Fanart.

Concluindo, Cassandra Clare, neste quarto capítulo das aventuras dos Caçadores de Sombras, conseguiu inovar o mundo sobrenatural que (re)criou. Embora ela mantenha certos erros que tinha cometido na primeira trilogia, A Cidade dos Anjos Caídos mostra que ela tem uma imaginação muito fértil e que sabe explorar magnificamente a essência do ser humano. Eu achava que tinha cometido um erro ao continuar a ler a coleção, uma vez que eu tinha pensado que bastava ler os três primeiros livros para conhecer o talento de Clare, mas este começo da segunda trilogia acabou por ser muito cativante e prometedor.


Classificação: 4/5 estrelas.



Próxima leitura: Endgame- A Chave do Céu, de James Frey e Nils Johnson-Shelton.






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