quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Opinião: Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard




Rainha Vermelha foi o romance de estreia de Victoria Aveyard e insere-se na categoria de livros de Fantasia, com um toque distópico, para jovens-adultos. Estamos perante um mundo que é separado de acordo com a cor do sangue. Os Prateados são a realeza e a nobreza e possuem capacidades sobrenaturais, enquanto os Vermelhos são o povo que vive na pobreza e no sofrimento, trabalhando arduamente para garantir o sustento dos Prateados. A personagem principal, Mare, uma jovem de 17 anos, pertence à classe dos Vermelhos e apenas consegue sobreviver como ladra. No entanto, ela acaba por ir parar à corte prateada, pois ela descobre, perante os Prateados, que também tem um poder sobrenatural. Para não causar transtornos entre os Prateados e para não originar revoltas entre os Vermelhos, o rei decidi que Mare deve fingir ser uma princesa Prateada desaparecida e que conseguiu voltar para o mundo dos Prateados. Por isso, Mare passa a viver como uma Prateada, mas também como uma espia, uma vez que se junta à Guarda Escarlate, uma rebelião dos Vermelhos que pretende mudar o mundo em que vivem. Deste modo, será que o poder dela é uma salvação ou uma 
perdição?




A ação não é propriamente original. Fez-me lembrar outros livros, como Os Jogos da Fome, Alvorada Vermelha e Divergente. Ainda assim, a história conseguiu prender-me. Tal como nos livros mencionados, gostei de ver que a luta pela igualdade e pela liberdade não foi colocada em segundo plano, como algumas vezes acontece quando a história envolve adolescentes como pessoas revolucionárias. Ou seja, muitas vezes, os autores que têm como público-alvo os mais jovens tendem a ter como plano principal uma relação amorosa e, assim, parece que se esquecem do verdadeiro rumo da sua própria história. Portanto, neste aspeto, ainda bem que Aveyard se centrou na vertente mais sociopolítica, embora já haja muitas histórias em que a personagem principal é o elemento catalisador de uma revolta. Contudo, gostei do desenrolar da história. Temos as perspetivas dos dois tipos de vida e acabamos por ter um bom contraste. Também achei engraçado a semelhança com o X-Men (uma história da Marvel que conta as aventuras de um vasto grupo de humanos mutantes, os X-Men, que nascem com habilidades únicas e sobre-humanas), na medida em que cada Prateado tem um poder impressionante e completamente diferente. Esses aspeto foi bem incorporado e torna esta sociedade mais fascinante. A autora acaba por conjugar, de certa forma, características dos livros da Fantasia com os da Ficção Científica, o que confere a originalidade que falta no enredo como um todo.
Um outro bom aspeto é a mensagem que é passada ao leitor. Será que deveremos ignorar o mundo em que vivemos e continuar a olhar para nós próprios como uns coitados que nada podem fazer? Ou será que podemos mudar alguma coisa? Será que aqueles que estão no poder estão sempre certos? A mensagem que nos é passada é que a determinação e a força coletiva são armas importantíssimas para mudarmos o mundo para melhor.



12 Ominous Quotes from RED QUEEN by Victoria Aveyard | Blog | Epic Reads:
"Essa vida já eu vivi, na lama, nas sombras, numa cela, num vestido de seda. Jamais me submeterei de novo. Jamais deixarei de lutar."

As personagens são o ponto forte do livro. Cada uma tem uma personalidade única e a melhor parte é que não temos um grupo que é totalmente bom, nem um grupo totalmente mau. Todas as personagens têm as suas qualidades e os seus defeitos. Mare é movida pela raiva que sente pelos Prateados, mas é capaz de perceber que há algo maior do que ela à sua frente e usa a sua nova habilidade para lutar pelo bem comum. Ainda temos uma personagem que engana muito bem todos, e até o próprio leitor, fazendo-nos querer ler mais e mais para descobrir os verdadeiros motivos dessa mesma figura. Deste modo, a autora elaborou personagens surpreendentes, tornando a história mais empolgante. Um outro aspeto que é também importante realçar é o papel das mulheres como grandes lutadoras e, até mesmo, líderes, já que, por vezes, neste tipo de histórias, os homens acabam por ser aqueles que desempenham um papel fulcral. No entanto, foi bom ver mais do que uma mulher a liderar ou a planear, quer em prol do bem, quer em prol do mal.



Por fim, a escrita de Aveyard é absorvente e, por isso, deixa-nos viciados. A autora sabe como passar as suas mensagens de uma maneira simples e eficaz e isso é fulcral em livros de teor distópico. 

“I have lived that life already, in the mud, in the shadows, in a cell, in a silk dress. I will never submit again. I will never stop fighting.”:
Fanart.
Em conclusão, Rainha Vermelha é um bom começo de uma nova série com uma mensagem forte e inspiradora. Pode ser um parecida ao ser comparada com outras coleções literárias, mas tem personagens marcantes e uma escrita cativante. Pode parecer ser fraca a leitores de Fantasia e de livros distópicos com mais experiência, mas irá surpreender os principiantes.


Classificação: 4/5 estrelas





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