quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Opinião: Eu dou-te o Sol, de Jandy Nelson



Eu dou-te o Sol, de Jandy Nelson, é um romance contemporâneo para jovens-adultos que tem como personagens principais dois irmãos gémeos falsos, Noah e Jude, que passam por momentos difíceis, quer a nível pessoal, quer a nível profissional.
Noah é um rapaz introvertido que sempre viu o desenho como um refúgio e, por isso, ele anseia por ir para uma grande escola americana de artes. Jude é uma jovem com um espírito mais rebelde e que tenta viver a vida ao máximo. Tal como o irmão, ela também é uma artista, pretendendo vir a ser uma grande escultora. Os irmãos tinham, então, uma ligação especial, não só por serem gémeos, mas também por terem os mesmos interesses, apesar das diferenças quanto às personalidades. Contudo, os segredos que cada um guarda para si e as tragédias que afetam a família irão afetar a relação fraternal estas duas personagens.



Fanart

O enredo é magnífico. Não posso revelar muito, pois a magia centra-se nos tais segredos e problemas que eu mencionei anteriormente. Posso dizer que este livro é muito importante, na medida em que aborda temas como o preconceito, a sexualidade, a descoberta de si mesmo numa fase tão frágil como a adolescência. Valoriza-se o amor como uma força que move o mundo e a alma de cada um, a amizade como um apoio nos momentos mais difíceis, a família como um quebra-cabeças complicado, mas que é impossível não amar. Valoriza-se também a arte como um elemento indispensável nas nossas vidas. Afinal, a vida é arte e arte é vida. Portanto, é um livro que deve ser lido por todos, mas principalmente pelos jovens-adultos, o público-alvo, pois vão perceber que este romance é como um reflexo deles. Eu senti-me assim, principalmente em relação à importância que é dada à arte nesta linda história.

O enredo não teria sido tão tocante se Nelson não tivesse criado personagens tão únicas e diversificadas como Noah e Jude. Eles são como a lua e o sol, mas formam um eclipse lindíssimo. Senti uma grande compaixão por Noah, que está a tentar encontrar-se a si próprio num mundo tão cinzento que prefere afastar as pessoas diferentes. A sua paixão pelo desenho é tocante, bem como a forma como a arte está sempre tão presente no dia-a-dia dele. Ele respira arte e ele não pode viver sem os lápis e as cores, isso é inadmissível no mundo dele. Adorei, ainda, a bravura dele, pela maneira como ele enfrentou os obstáculos impostos pela adolescência e pela sociedade. Ele descobre que é homossexual e explora isso através do desenho de uma forma brilhante. Ele é um exemplo para os adolescentes da comunidade LGBTQ que se sentem sós e presos.
Jude foi a personagem que eu mais gostei. Ela é muito excêntrica. Ela adora escultura e, tal como o irmão, ela tem uma alma de artista. Adoro a maneira como ela abraça a sua personalidade peculiar, principalmente porque ela aprendeu que não deveria aceitar as normas impostas pela sociedade conformista. Também gostei muito de conhecer os seus segredos mais obscuros e, por os ter enfrentado, também admiro a coragem dela. Ela aprendeu a confiar e a amar outra pessoa, mesmo depois de ter passado por uma fase confusa e repleta de dor.
Ao contrário de outros romances de jovens-adultos, as personagens mais velhas estão bem presentes no livro de Nelson. Jude, para ser uma melhor escultora, acaba por ter como mestre Guillermo Garcia, um escultor extravagante que também teve uma vida cheia de buracos pela estrada. Ele terá um forte impacto nas vidas dos gémeos e ele irá mostrar que os adultos também podem ter os mesmos problemas que um adolescente tem.
Assim, penso que Jandy Nelson criou personagens fantásticas e invulgares que, ainda assim, irão tocar o coração de qualquer leitor.

Por fim, a escrita, tal como o enredo e as personagens, é fenomenal. É poética, é colorida e aquece a alma. É tão simples, mas tão única ao mesmo tempo. Não há mais ninguém que escreva assim, de certeza. É como uma brisa fresca do Verão, faz-nos sentir tão bem. Faz-nos sentir e pensar. Faz-nos querer viver. Jandy Nelson tem um talento puro e pretendo saborear mais a escrita dela.


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"O que é mau para o coração é bom para a rte. É a terrível ironia das nossas vidas como artistas". Tradução livre.


Em suma, Eu dou-te o Sol é um romance que merece ser lido, discutido e, principalmente, apreciado e amado. É um livro cheio de amor, de vida e de cores, as frias e as quentes. E é lindo. Lindíssimo. Aconselho vivamente a leitura deste romance delicioso. E é ideal para aqueles que respiram arte.


Classificação: 5/5 estrelas



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