segunda-feira, 6 de junho de 2016

Opinião: Eleanor & Park, de Rainbow Rowell







Eleanor & Park é um romance inserido na categoria de Jovens-Adultos e passa-se na década de 80, havendo muitas referências culturais, como conversas sobre livros de banda desenhada (X-Men, Watchmen, etc) e grandes bandas. É um livro adorável, inocente, mas também cheio de tristeza e de mágoa.


O enredo centra-se em duas personagens, Eleanor e Park. Eleanor é uma jovem gorda, de cabelo ruivo, que tem uma vida familiar muito complicada. Além de ser gozada pelos colegas e de não gostar muito de si própria, Eleanor não gosta do ambiente de casa, pois ela detesta o novo marido da mãe. É uma rapariga muito insegura, pois sabe perfeitamente que é muito diferente dos outros, não só por ser rechonchuda, mas também por se vestir de uma forma diferente, uma vez que é pobre e tem que usar roupas masculinas gastas. Park é um rapaz meio coreano, meio americano. Tem uma família praticamente normal, apesar de ter problemas com os pais, mas são problemas típicos de adolescentes. Adora banda desenhada e música, e é assim que conhece Eleanor, que era uma aluna nova na escola dele. Eleanor começou a ler a banda desenhada dele quando iam juntos no autocarro e Park decidiu que gostaria de falar com ela sobre os gostos dela. Nasceu, portanto, uma amizade muito bonita, encantadora e engraçada, que viria a transformar-se num namoro arrebatador, repleto de momentos de grande cumplicidade. Enfrentam os problemas da juventude juntos, ajudam-se mutuamente. Sofrem juntos, riem juntos. Amam-se imenso. "Dois inadaptados. Um amor extraordinário". Como não amar um romance destes?


Ilustrações da edição americana.

Deste modo, em relação às personagens, adorei como a autora as construiu. Pareciam ser reais, como se a autora tivesse escrito este romance, baseando-se numa história verídica. São personagens que nos fazem sorrir pela sua ternura, que nos fazem chorar pelo sofrimento que não merecem. Tornaram-se minhas amigas. Exceto o padrasto da Eleanor, claro. Ele é mesmo péssimo.
Adorei conhecer Eleanor. Identifico-me bastante com ele, já que, a nível físico, sou como ela. Fez-me sentir bem ao ler uma personagem que passa pelas mesmas experiências que eu: as inseguranças, os receios. Porém, também gostei imenso dos momentos em que ela falava daquilo que ela mais gostava. É uma rapariga muito querida e a vida dela fez o meu coração ficar pesado, como chumbo. Para mim, é a personagem mais bem construída do romance. Vemos de tudo um pouco: os problemas dela consigo própria, os problemas dela com os colegas, os problemas dela com o namorado, os problemas dela com a família. Enfim, os problemas dela que surgem porque é assim que a vida funciona. Gostei muito de a ver crescer e tomar as decisões corretas para ela.
Park também conquistou o meu coração, porque é um rapaz muito, muito encantador. Ele tem um coração muito puro e altruísta. Ele é mesmo um querido. Gostei de o ver confrontar os pais e adorei as pequenas coisas que ele fazia a Eleanor, como tocar levemente na palma da mão dela, mexer nos caracóis ruivos dela, ir com ela até ao cacifo e ficar encostado à parede a admirá-la. Repito, é um querido.
As outras personagens são igualmente muito reais. A história de vida da mãe de Eleanor é muito tocante. Ela sacrificou, e sacrifica, tanto pelo bem dos filhos. O pai da protagonista praticamente não existe e o padrasto é um demónio. Este é um outro aspeto que gostei em relação à forma como Rowell construiu Eleanor: focou-se muito na vida familiar, principalmente na questão da violência doméstica e das consequências dos atos desastrosos de uma pessoa no seio de uma família. Tornou o romance ainda mais apelativo, mais autêntico.

Is this how you imagined Eleanor and Park. What great fan art!:
Ilustração feita por um fã.


A escrita é muito simples e muito jovial. Vê-se que a autora adora escrever para os adolescentes, se bem que os adultos também podem ler os trabalhos dela. É uma escrita muito cativante por são tão simples e genuína.  A autora é capaz de criar frases magníficas, como esta: "Ela tinha aspeto de arte, e a arte não tinha de ter bom aspeto; a arte tinha de nos fazer sentir algo". Como podem ver, suspirei muito ao longo da leitura.



"Estar de mão dada com Eleanor era como segurar numa borboleta. Ou num coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo".


Concluindo, é uma história repleta de momentos de humor e de dor, de sorrisos e de lágrimas. Um romance muito tocante com personagens fascinantes e muito reais, que nos fazem sentir tudo e mais alguma coisa intensamente. É um livro com uma mensagem muito importante: "o amor é um superpoder".


Classificação: 10/10 estrelas






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