segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Viagem Literária em Ponta Delgada!

A Viagem Literária é uma iniciativa criada pela Porto Editora, que pretende incentivar as pessoas a lerem mais, visitando cidades afastadas dos grandes centros culturais do país. Iniciada em abril de 2015, a equipa da Viagem Literária já passou por 11 locais diferentes, contando agora com Ponta Delgada.

O cartaz da 11ª etapa da Viagem Literária.

Para Ponta Delgada, os escritores convidados foram o escritor Valter Hugo Mãe e o cantautor Sérgio Godinho, que seriam orientados pelo jornalista João Paulo Sacadura, que tem conduzido todas as conversas deste evento. De início, o cronista Miguel Esteves Cardoso (também conhecido como MEC) era um dos convidados originais, mas teve que desistir por motivos pessoais, tendo sido convidado Sérgio Godinho para ocupar o lugar de MEC.


Sérgio Godinho,João Paulo Sacadura e Valter Hugo Mãe no Coliseu Micaelense.

O local escolhido para a sessão foi o Coliseu Micaelense, no qual estavam presentes cerca de 550 pessoas ansiosas por ouvirem os autores. Nesta sala, que foi muitas vezes elogiada pelos convidados, tive a oportunidade de ouvir Valter Hugo Mãe explicar porque escolheu a palavra "Mãe" para formar o seu nome artístico. A razão é simplesmente o facto de admirar o poder da maternidade e de prestar uma homenagem à sua própria mãe, que é alguém que sempre esteve fortemente presente na vida do escritor. Sérgio Godinho também referiu várias vezes que a sua mãe foi uma grande ajuda e uma forte inspiração ao longo da sua vida, até porque ela foi a pessoa que o levou a apreciar a música. Foi também nesta altura que ambos partilharam algumas memórias de infância, sendo a minha favorita a de Valter Hugo Mãe, que disse que, aos 6 anos, faltou à primeira semana de aulas porque receava a nova experiência e também queria ficar a brincar na rua.


O jornalista João Paulo Sacadura a fazer uma breve introdução sobre a 11ª sessão da Viagem Literária. Eu fiquei logo na primeira fila!


Um dos outros assuntos abordados foi a beleza açoriana. A Valter Hugo Mãe falta visitar algumas ilhas, mas admite que a Graciosa deve ser a mais bonita de todas. Ainda assim, também gosta de visitar São Miguel. O cantautor Sérgio Godinho disse que, aos 22 anos, visitou os Açores (mais especificamente São Miguel) quando trabalhava na cozinha de um navio e afirma que, desde então, nunca se esqueceu da liberdade que sentiu no momento em que pisou o solo micaelense.


Valter Hugo Mãe e Sérgio Godinho na Lagoa das Setes Cidades.

E, claro, o assunto mais discutido foi a literatura, nomeadamente as obras que ambos já publicaram e o poder da palavra. Sérgio Godinho, embora seja mais conhecido como cantor e compositor, é também escritor (para adultos e crianças), ator (de teatro e cinema) e realizador. Falou sobre a profundidade da poesia e o facto de ela existir na música, tendo mesmo referido a pergunta que muitos fazem: mas a letra das canções pode ser considerada poesia? O cantor defende que sim.
Valter Hugo Mãe, que conta com um livro de poemas (Contabilidade), também considera a poesia bela, apesar de muitos acharem que é um género menor. De facto, ambos têm pena que a poesia, em Portugal, não seja tão apreciada como verdadeiramente merece. 
Entretanto, o moderador João Paulo Sacadura perguntou aos convidados se, em breve, iriam publicar um novo livro. Valter Hugo Mãe respondeu que está na reta final do seu novo romance e que, talvez, o mesmo seja publicado ainda este ano. Já Sérgio Godinho encontra-se atualmente a meio do seu primeiro romance (o cantor tem um livro de poemas, uma antologia, um livro infantil e um livro repleto de canções da sua autoria).


Tive a oportunidade de comprar o livro de poemas de Sérgio Godinho no Coliseu Micaelense, onde se encontrava uma bancada da Bertrand com os livros dos autores convidados.

O fim da sessão contou com as perguntas do público, sendo uma delas a curiosidade em saber como os autores podem criar histórias sobre algo que nunca vivenciaram. Posto isto, ambos responderam que é possível, até porque a literatura tal o permite, isto é, ir mais além do nosso ser. O próprio Valter Hugo Mãe confessou que se inspira em meras ocasiões quotidianas, por exemplo, uma vez que o próprio ser humano, na sua simplicidade, tem um certo encanto.
Depois das questões do público, João Paulo Sacadura informou que iria haver uma sessão de autógrafos, um dos pontos altos da noite. Fui das últimas pessoas na fila e tive a possibilidade de falar um pouco com Sérgio Godinho, ao qual disse que tinha apreciado muito os 90 minutos de conversa e que estava ansiosa por ler os seus poemas. A Valter Hugo Mãe, disse que tinha adorado a sua antologia, o seu trabalho mais recente (Contos de cães e maus lobos) e que estava muito curiosa por ler A Desumanização.


Autógrafo de Sérgio Godinho.

Valter Hugo Mãe autografou Contos de cães e maus lobos.

Valter Hugo Mãe também autografou A Desumanização.
Como podem ver, adorei a experiência e espero ir a mais eventos literários em breve!

P.S- Como referi anteriormente, já li Contos de cães e maus lobos, de Valter Hugo Mãe, mas ainda não irei publicar a minha opinião sobre a antologia, pois li o livro num ritmo demasiado rápido e quero relê-lo ao longo desta semana. Contudo, posso já dizer é um livro que brilha pela sua simplicidade profunda.

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