terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Opinião: The Lion, the Witch and the Wardrobe (The Chronicles of Narnia #2), de C. S. Lewis


Sinopse da edição portuguesa (retirada do site da Bertrand): 
Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o 5º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma.

Com mais de 85 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, As Crónicas de Nárnia são um dos clássicos da literatura infanto-juvenil mais apreciados de sempre. Publicado em 1950, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa é o segundo volume das célebres crónicas, seguindo-se a O Sobrinho do Mágico, dado a conhecer ao público pela Presença em Abril de 2003. A aventura começa durante a Segunda Guerra Mundial, quando Peter, Lucy, Edmund e Susan são obrigados a sair de Londres e a instalar-se numa pequena cidade em Inglaterra, na casa de um professor solteirão. Enquanto exploram a mansão, Lucy descobre uma passagem secreta muito especial no guarda-fatos do velho professor, que dá acesso a um misterioso mundo...
Uma obra mágica, vencedora do prémio Keith Barker para o Melhor Livro Infantil do Segundo Milénio. Superprodução da Walt Disney Pictures e Walden Media com estreia em Dezembro de 2005.


Opinião: As Crónicas de Nárnia é o título da coleção de sete livros do autor britâncio Clive Staples Lewis, mais conhecido como C.S. Lewis. Apesar de ter publicado primeiro The Lion, the Witch and the Wardrobe (na edição portuguesa, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa), o autor vincou várias vezes que este livro é o segundo da coleção, sendo O Sobrinho do Mágico (The Magician's Nephew foi, na realidade, a sexta obra da coleção a ser publicada) o primeiro. No entanto, decidi começar por este, pois era o único disponível na Feira do Livro.

É com muito agrado que digo que adorei ler este pequeno livro e ainda bem que o li em inglês, uma vez que se o tivesse lido em português, o impacto não seria tão grande. É, sem dúvida alguma, um dos melhores livros infanto-juvenis, como toda a gente diz. Tem tudo o que uma criança poderia amar num livro: magia, personagens encantadoras, criaturas espetaculares e ilustrações simples, mas bonitas. Não me admira que este autor tenha sido uma grande influência para J.K. Rowling, a escritora da coleção Harry Potter.

Comecemos pela história, que é encantadora e inocente. Estamos perante quatro crianças com personalidades diferentes que vão parar a uma casa gigante de um professor estranho. Numa das suas explorações pela casa, a criança mais nova, Lucy, descobre um guarda-roupa e decidiu entrar para se esconder. No entanto, ela não esperava ir parar a um sítio cheio de neve, nem tão pouco esperava encontrar um "Faun", ou seja, um Fauno. É claro que a menina foi contar tudo aos irmãos mais velhos que, no início, pensavam que era apenas uma história inventada por ela, até que eles próprios entraram no guarda-roupa para se esconderem da empregada da casa e viram o lugar branco. Era Nárnia, um território cheio de seres mágicos estranhos e animais que falavam; era um lugar belo, mas amaldiçoado pela Feiticeira Branca, que preferia ser conhecida como Rainha de Nárnia. Mas é com a chegada das crianças que tudo muda e a esperança volta a encher os corações dos habitantes de Nárnia, aparecendo ainda Aslan, o grande leão que poderia vencer a batalha contra a Feiticeira.
Como podem ver, é um enredo bastante simples e leve, perfeitamente adequado para crianças. No entanto, tem uma grande carga simbólica, até porque o autor era um grande devoto do cristianismo. Apesar de muita gente já conhecer a história, quer pelo filme, quer pelo livro, não vou contar os pormenores desses mesmo símbolos, mas posso dizer que Aslan representa Jesus Cristo, por exemplo (se bem que há quem diga que o leão é uma personagem "cinzenta", ou seja, não é totalmente pura). É ele que atrai multidões que confiam nele e é ele que faz sacrifícios para salvar todos os seres de Nárnia. Além disso, as crianças, Peter, Edmund, Susan e Lucy, são sempre referidas como os filhos de Adão e Eva. Depois, há referências a um "Emperor-beyond-the-Sea" (na tradução livre, Imperor para-além-do-Mar), que pode ser uma representação de Deus.
Continuando, é impressionante como o autor conjugou esses temas cristãos, como o valor da figura de Cristo, com elementos da Fantasia e é notável o seu entusiasmo pela mitologia, pois há uma forte presença de seres mitológicos, como faunos, centauros, minotaurosdríadessereiasgigantes, etc.
Assim, a história foi muito bem construída, apesar de os detalhes serem escaços, ou seja, não há grandes descrições sobre os seres mágicos, nem da vida anterior das crianças ou das suas próprias personalidades. Mas entendo que o autor, certamente, queria escrever um livro leve e que fosse suficientemente interessante para cativar o público mais jovem.


Lucy ao descobrir o guarda-roupa que a levaria até Nárnia (adaptação cinematográfica de 2005).


A escrita é muito natural e, portanto, é ideal para quem queira aperfeiçoar o seu inglês. É uma escrita muito fluída e não é nada cansativa, já que também não há grandes descrições dos locais e das personagens. Todavia, as descrições presentes são as suficientes para despertarem a imaginação do leitor. Por ser tão acessível e leve, não há muito a dizer quanto à escrita, a não ser que, de facto é perfeita para as crianças. Não é enfadonha e a sua simplicidade proporciona  a magia que qualquer livro de Fantasia deve possuir.

Quanto às personagens, o autor fez um excelente trabalho ao criar Peter, Susan, Edmund e Lucy. Gostei principalmente de Lucy, pois é uma menina muito inocente, encantadora e simpática. Também gostei de Edmund, que, apesar de ser o "traidor" da história e de ser mesquinho, conseguiu cativar-me por ser um grande contraste quando é comparado com Lucy. Em relação aos irmãos mais velhos, Peter e Susan, não há muito a dizer, pois embora tenham tido o seu papel na batalha final, principalmente Peter, não trouxeram nada de diferente ao enredo. Ainda assim, são bons irmãos e são jovens muito sensatos. Aslan e a Feiticeira também são contrastes interessantes e fiquei curiosa em relação ao passado deles, que é algo que nunca foi referido ao longo do livro. Aslan é uma personagem que defende a bondade e a justiça, enquanto que a Feiticeira prefere ser gananciosa e vingativa. Todo o leque de personagens é, então, fulcral para os leitores mais pequenos, uma vez que cada uma delas apresenta um ensinamento, uma lição de moral, como o bem que vence o mal, o ato de perdoar e a importância da união, da família e da verdade.



Lucy, Susan, Aslan, Peter e Edmund- imagem da adaptação cinematográfica de The Lion, the Witch and the Wardrobe, de 2005.


Resumindo, The Lion, the Witch and the Wardrobe é um livro maravilhoso e de uma magia extremamente inocente, mas que retrata o Bem e o Mal de forma ingénua e criativa. É recomendado para as crianças que não gostam de ler, para perceberem que a própria leitura é mágica, mas também é perfeito para os adultos que gostariam de ser crianças novamente.
É uma história fascinante e que encanta pela sua simplicidade.




Classificação: 9/10 estrelas




Edição portuguesa de The Lion, the Witch and the Wardrobe, o segundo livro d'As Crónicas de Nárnia.

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