terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Prémio Literário José Saramago foi atribuído a Bruno Vieira Amaral

O Prémio Literário José Saramago/Fundação Círculo de Leitores foi criado, em homenagem ao grande escritor português, para celebrar "a nova literatura em língua portuguesa, distinguindo jovens escritores por uma obra de ficção, romance ou novela, publicada em qualquer país da lusofonia". Portanto, o prémio de 25.000 é atribuído a autores com menos de 35 anos.




Fotografia publicada n página de Facebok oficial da Fundação José Saramago. Este cartaz indica os vencedores anteriores deste galardão.





Nesta nona edição, o vencedor é Bruno Vieira Amaral, com o seu romance de estreia As Primeiras Coisas. Antes desta distinção, o autor já tinha recebido o Prémio Fernando Namora e o Prémio PEN Clube Narrativa de 2013. O seu romance também foi destacado pela revista Time Out como Livro do Ano (também em 2013).





O primeiro romance do autor foi As Primeiras Coisas, que lhe garantiu o Prémio José Saramago de 2015. Foi editado pela Quetzal, onde Bruno Vieira Amaral trabalha.





A inspiração para o seu romance foi o bairro onde cresceu, Vale da Amoreira, no concelho da Moita, em Setúbal. No entanto, o bairro existente no seu livro chama-se Amélia (nome de uma vizinha do autor) e é "um mundo que já tinha acabado", "uma comunidade extinta". Estamos perante um romance recheado de memórias e vidas presenciadas pelo autor, mas Bruno Vieira Amaral descreve o seu romance como um livro "virado para os outros", não para o interior. O ensaísta Manuel Frias Martins afirma que o romance possui um "efeito de real" tão profundo, sendo capaz de puxar para dentro o leitor, como se este estivesse a ver um "filme da memória de todos os bairros populares de um Portugal cuja contemporaneidade se reconhece, sobretudo na dimensão da sua diversidade pós-colonial". 





Para além de trabalhar na editora Quetzal e de ser escritor, Bruno Vieira Amaral é também crítico literário, tradutor e  editor-adjunto da revista Ler. Licenciou-se em História pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Além disso, é também editor-adjunto da revista Ler.







O júri é composto por Guilhermina Gomes (presidente do júri), Ana Paula Tavares, Nelida Piñon, Pilar del Río, António Mega Ferreira. No Comité Executivo, temos Manuel Frias Martins, Paula Cristina Costa e Nazaré Gomes. O grupo destaca a "maturidade da escrita, a inovação nas ideias e na forma". Salientam, ainda, uma particularidade do romance, as notas de rodapé, que tornam o livro num "romance pouco convencional".




Ao receber o prémio, Bruno Vieira Amaral dedicou-o aos vizinhos do seu antigo prédio (do rés-do-chão ao sétimo andar). A entrega do prémio também ficou marcada pelo apelo à libertação dos ativistas angolanos. O vencedor defendeu que "a literatura é liberdade porque não propõe uma verdade, propõe possibilidades". Além disso, acha inconcebível "que alguém esteja preso pelas suas ideias".




A entrega do Prémio Literário José Saramago de 2015.



Bruno Vieira Amaral, atualmente, encontra-se a escrever o sucessor de As Primeiras Coisas, no qual irá retratar uma investigação de um caso real, um homicídio que ocorreu há cerca de 30 anos.



Para saberem mais sobre o romance distinguido pelo Prémio José Saramago, deixo a sinopse de As Primeiras Coisas, retirada do site da Bertrand: 

Quem matou Joãozinho Treme-Treme no terreno perto do depósito da água? O que aconteceu à virginal Vera, desaparecida de casa dos pais a dois meses de completar os dezasseis anos? Quem foi o homem que, a exemplo do velho Abel, encontrou a paz sob o céu pacífico de Port of Spain? Porque é que os habitantes do Bairro Amélia nunca esquecerão o Carnaval de 1989? Quem é que poderá saber o nome das três crianças mortas por asfixia no interior de uma arca? Onde teria chegado Beto com o seu maravilhoso pé esquerdo se não fosse aquela noite aziaga de setembro? Quantos anos irá durar o enguiço de Laura? De que mundo vêm as sombras de Ernesto, fabuloso empregado de mesa, Fernando T., assassinado a 26 de dezembro de 1999, Jaime Lopes, fumador de SG Ventil, Hortênsia, que viveu e morreu com medo de tudo? Quando é que Roberto, anjo exterminador, chegará ao bairro para consumar a sua vingança? Memórias, embustes, traições, homicídios, sermões de pastores evangélicos, crónicas de futebol, gastronomia, um inventário de sons, uma viagem de autocarro, as manhãs de Domingo, meteorologia, o Apocalipse, a Grande Pintura de 1990, o inferno, os pretos, os ciganos, os brancos das barracas, os retornados: a Humanidade inteira arde no Bairro Amélia.
Aumentar a fonte do artigo Bruno Vieira Amaral venceu o Prémio José SaramagoOuvir o artigo Bruno Vieira Amaral venceu o Prémio José Sarama

Sem comentários:

Enviar um comentário