domingo, 4 de outubro de 2015

[E se...] The Wrath and the Dawn, de Renée Ahdieh






The Wrath and the Dawn (em português, A Ira e o Amanhecer), de Renée Ahdieh, é o primeiro de uma duologia que , tal como o primeiro livro, se intitula de The Wrath and The Dawn. É um livro que se insere na categoria dos Young-Adults (Novos-Adultos),  tendo como género a Fantasia. É, além disso, um retelling (é como uma nova versão de uma história já existente, normalmente de contos). A dulogia de Ahdieh tem como base a colectânea de contos árabes, As Mil e Uma Noites. Portanto, primeiro, vou falar um pouco sobre a colectânea que inspirou Renée Ahdieh, que é, agora, uma das autoras mais adoradas pelo público de leitores jovens.


As Mil e Uma Noites narra uma das histórias mais fascinantes de todos os tempos. Esta obra agrega um conjunto de histórias árabes que foram inventadas e transmitidas pela tradição oral. São histórias extremamente conhecidas, a nível mundial, graças a Antoine Galland, que viajou por países árabes e, em simultâneo, reuniu e traduziu vários contos orientais, que foram publicados em 1704, em francês. O livro apresentava o título que atualmente é usado- As Mil e Uma Noites- e continha, ainda, um grupo de versões que nunca foram concluídas. Assim, a versão final da colectânea foi finalizada por um médico sírio, de nacionalidade francesa, Joseph Charles Mardruz, e foi publicada em 1889. 


A edição portuguesa d'As Mil e Uma Noites.


Esta colectânea retrata um rei, Schahriar, que foi traído pela sua própria mulher, que teve relações com um escravo. Quando o irmão lhe contou a traição, o rei mandou matar a mulher e o escravo. A partir daí, Schariar pedia, todos os dias, ao conselheiro, o Vizir, que lhe trouxesse uma mulher que, na manhã seguinte, acabaria morta. Tal decisão espalhou o terror por todas as famílias que tinham raparigas jovens.
Contudo, um dia, uma das filhas do conselheiro, Sherazade, informou ao pai que tinha um plano para terminar com a loucura do rei. O conselheiro ficou desesperado e tentou persuadir a sua filha, mas ela não mudou de ideias, uma vez que ela casou com o rei.
Na noite das núpcias, que supostamente seria a noite anterior á sua morte, a jovem pediu ao rei que este lhe concedesse um último desejo: o de ver a irmã Duniazade. Quando a irmã entrou, ela pediu que Sherazade contasse-lhe uma história, que acabou por cativar o rei. Ao amanhecer, a jovem teve que interromper a narrativa e disse ao rei que o que contaria na noite seguinte, seria ainda melhor. Como o rei estava desejoso por saber mais, decidiu que Sherazade podia viver mais um dia, e mais um dia, e outro dia... Durante mil e uma noites, a rapariga contava histórias cada vez mais magníficas, até que, na última noite, o rei decidiu que nunca a mataria, pois estava apaixonado por ela.


Quadro de Paul Destouches. Sherazade a contar uma história ao rei Schahriar.



Feita uma introdução essencial para entender o livro em questão, passemos à sinopse (traduzida por mim) de The Wrath and The Dawn:

Uma sumptuosa e épica história de amor inspirada por As Mil e Uma Noites.
Todos os amanheceres trazem horror a diferentes famílias numa terra governada por um assassino. Khalid, com dezoitos, é o líder de Khorasan e, todas as noites, tem uma nova noiva apenas para que esta seja executada ao amanhecer. Deste modo, é uma surpresa duvidosa quando Shahrzad, de dezasseis anos, escolhe casar com Khalid. Mas ela fá-lo com um plano inteligente para sobreviver e vingar-se do assassino da sua melhor amiga e das outras raparigas. A força de vontade e a inteligência de Shazi fazem com que ela veja a manhã que nenhuma pôde ver até agora. No entanto, ela apaixona-se pelo jovem que matou a sua querida amiga.
Ela descobre que o rei não é quem ele parece ser, nem as mortes das outras raparigas. Shazi está determinada a descobrir o motivo das mortes e a terminar o ciclo de uma vez por todas.



Podem ver, então, que a autora, efetivamente, inspirou-se na colectânea árabe. Aliás, Ahdieh explicou que escolheu esta história por ser uma mulher com descendências diferentes e, por isso, esteve sempre ligada a diferentes mundos. Mas foi ao conhecer a família do seu marido, de origem persa, que a autora viu uma tapeçaria bonita. Ao perguntar ao marido sobre a tapeçaria, a mãe dele contou-lhe que a peça retratava os contos de As Mil e Uma Noites. A partir daí, a autora encarou a narrativa de Sherazade como uma possível história para novos-adultos e, por isso, simplesmente teve várias ideias ao mesmo tempo.


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A capa francesa de The Wrath and the Dawn.

Passemos agora aos vários motivos pelo encanto dos leitores após a leitura desta obra.

Um dos pontos fortes para o fascínio pela história é a diversidade. Os leitores ficaram fascinados ao depararem-se com uma cultura completamente diferente. Adoraram, também, a presença de um glossário, no final do livro, que contém explicações acerca do vestuário e as armas, assim como se deve pronunciar certas palavras, principalmente os nomes das personagens.
Outra razão para justificar o sucesso do livro é a escrita de Renée Ahdieh. De acordo com vários leitores, a escrita é magnífica, esplêndida, sensacional e de alta qualidade. De facto, a autora conseguiu construir uma história única, cativante e renovadora, na medida em que, no mundo dos livros de Young-Adultos, Ahdieh destaca-se pela sua originalidade.  Aliás, as suas novas ideias, ao estarem interligadas com a premissa d'As Mil e Uma Noites, ficaram muito bem encaixadas, proporcionando um autêntico momento de prazer literário a qualquer pessoa que lê este livro.


A edição de capa dura de The Wrath and the Dawn (foto retirada daqui).

É claro que há muitos outros motivos que fizeram surgir, e aumentar, o número de fãs de Ahdieh. Todavia, o mais importante, para além da cultura árabe presente na história, é a complexidade das personagens. A personagem principal, Shazi, é descrita como sendo destemida, intuitiva, ousada e fascinante. Há, também, Khalid, um jovem rei que os leitores adoraram conhecer, pois apresentava várias camadas que foram desvendadas de uma forma profunda e bela. É, aliás, um jovem que acaba por se apaixonar e tentar esconder os seus segredos para não magoar a sua amada. Os fãs também ficaram encantados com algumas personagens secundárias, como Jalal, que é charmoso e engraçado, Despina, que foi uma grande amiga de Shazi, e Yasmine, que é intrigante.



Fanart de The Wrath and the Dawn.

Em suma, The Wrath and the Dawn, de Renée Ahdieh, DEVERIA ser editado em Portugal. O livro tem uma escrita extraordinária e única, a história é estupenda, excecional, contendo uma cultura que, talvez, seja completamente nova para os portugueses, e as personagens possuem personalidades ricas, recheadas de mistérios e de grandes qualidades, bem como de imperfeições que, ainda assim, seduzem qualquer leitor. Logo, fico admirada por, até agora, nenhuma editora portuguesa tenha mostrado interesse por este livro de Fantasia. É uma obra direcionada para o público jovem-adulto e que, a nível internacional, só tem recebido críticas positivas, assegurando, por sua vez, a publicação do segundo livro, que já tem um título: The Rose and the Dagger (A Rosa e o Punhal).

Quanto a mim, em breve, receberei este livro que, certamente, será lido nas férias de Natal.




A autora de The Wrath and the Dawn, Renée Ahdieh.

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