sexta-feira, 2 de outubro de 2015

[E se...] Made You Up, de Francesca Zappia

Made You Up


Made You Up (em português, algo como Criei-te), de Francesca Zappia, é um romance de 428 páginas que foi editado pela Greenwillow Books. Desde o dia do seu lançamento, 19 de maio de 2015, Made You Up tem conquistado muitos leitores que se encontram espalhados pelo mundo. De seguida, veremos o porquê do seu sucesso.


Em primeiro lugar, aqui está uma sinopse (traduzida por mim) do livro:

Alex luta uma batalha diária para perceber a diferença entre a realidade e a ilusão. Armada com uma forte atitude, a sua câmara (a Magic 8-ball) e a sua única aliada, a irmã mais nova, Alex trava uma guerra contra a esquizofrenia, determinada a ficar sã durante o tempo suficiente para entrar na universidade. Ela sente-se otimista quanto às probabilidades até que as aulas começam e ela conhece Miles. Será que ela o imaginou? Antes de o saber, Alex está a fazer amigos, a ir para festas, a apaixonar-se e a experimentar todas os rituais de passagem habituais para os adolescentes. Mas Alex está habituada a ser louca. Ela não está preparada para ser normal.

Divertido, provocante e comovente, este romance de estreia fará com que os leitores mudem de página para descobrir o que é real e o que foi criado.

 A contracapa do livro (edição americana).

Estamos, portanto, perante um livro que se insere na categoria dos livros Young-Adults (Novos-Adultos), que tem vindo a cativar cada vez mais leitores. É, também, um contemporâneo que tem como base um assunto sensível: esquizofrenia. Muitos livros contemporâneos que têm sido ultimamente publicados, retratam doenças psicológicas (principalmente a depressão), mas a autora sempre teve uma certa curiosidade quanto à esquizofrenia, uma vez que os filmes e as séries televisivas "adoram" tratar este assunto de uma forma obscura, encarando a doença como algo que é perigoso. Deste modo, Zappia pensou que seria muito importante escrever um livro onde a doença da personagem não seria encarada como algo "maléfico", até porque nem todos os esquizofrénicos são assassinos, por exemplo. Ou que nem todos estão num manicómio. É claro que, em Made You Up, Francesca Zappia escreveu partes um pouco sinistras, já que a escritora quis retratar o medo que o esquizofrénico sente ao ser diferente dos outros. Todavia, apesar da doença, a personagem principal também lida com outras questões, como a vida escolar e a vida social.
É por tudo isto que Made You Up tem recebido muitas críticas positivas: é diferente, tem um tema interessante e pouco explorado no mundo dos livros para jovens e tem uma personagem principal peculiar.


A autora de Made You Up, Francesca Zappia.
Além disso, muitos leitores ficaram admirados com a idade da autora, já que esquizofrenia é um tema profundo e que tem que ser explorado com cuidado. De facto, foi no seu quinto ano escolar que a autora começou a escrever um rascunho do seu primeiro romance, se bem que o livro, que foi publicado este ano, começou a ser organizado a partir do seu ano de caloira do ensino secundário. Durante o liceu, Zappia reescreveu a história várias vezes, até ao seu primeiro ano de universidade. Ainda assim, já tinha enviado o rascunho a alguns agentes literários quando estava no ensino secundário, até que um agente gostou do romance e ficou fascinado com o facto da escritora ser tão jovem. Mas foi na altura do lançamento que Made You Up acabou por ser bastante divulgado, graças ao interesse de John Green (um dos escritores de livros contemporâneos mais adorados pelo público mais jovem) pelo romance de Zappia.



Contudo, não foi por isso que os leitores adoraram o livro! Um dos pontos fortes, para além do assunto delicado do livro, foi a personagem principal, Alex. A heroína da história, de acordo com os fãs do livro, é uma rapariga antissocial, mas é atrevida, sarcástica, inteligente e determinada. Tem, então, uma personalidade forte. É, ainda, uma adolescente corajosa que tenta lidar com as suas imperfeições e inseguranças. Apesar da doença que tem, os leitores acabaram por ficarem fascinados por Alex, até porque deram valor à sua personalidade arrebatadora.


Uma outra personagem cativante é Miles, por quem Alex se apaixona. Miles é visto como um génio, mas arrogante. Alguns leitores até dizem que ele consegue ser um idiota! No entanto, no desenrolar da ação, as pessoas acabam por se simpatizarem com o rapaz, pois ele também tem os seus problemas e consegue ser querido e atencioso. Assim, aqui temos um outro ponto forte do livro.

Fanart de Alex e Miles.

Não quero alongar muito mais a minha publicação, mas quem leu o livro também gostou das personagens secundárias, principalmente dos pais de Alex, que são compreensivos em relação à situação da filha. Um outro aspeto positivo do livro é a escrita de Francesca Zappia. Os críticos afirmam que a autora fez um trabalho excecional, conseguindo fazer com que o próprio leitor ficasse confuso: se os momentos vividos por Alex eram reais ou simplesmente ilusões derivados da doença dela. Além disso, o romance está escrito de uma forma simples, sendo capaz de levar o leitor às lágrimas, ou ficar feliz com os momentos mais fofos.


Em suma, de acordo com os pontos anteriormente referidos, seria ótimo ver uma editora portuguesa publicar este livro. Penso que o romance tem todos os elementos necessários para ter sucesso no nosso país:

  • É um Young-Adult contemporâneo (uma categoria que, cada vez mais, tem vindo a despertar o interesse dos leitores portugueses);
  • Tem como tema principal a esquizofrenia (como indiquei anteriormente, muitos leitores têm vindo a adquirir muitos livros que falam sobre doenças mentais);
  • Explora o tema de uma forma impecável, mas simples;
  • Sem dúvida alguma que o ponto forte do livro é o conjunto de personalidades únicas e complexas presentes no romance.
  • É o livro ideal para os fãs de Matthew Quick e de John Green.


Então, será que, algum dia, veremos este livro nas prateleiras portuguesas?




P.S- A esquizofrenia é uma doença mental que se manifesta na adolescência ou no início da idade adulta. Tem várias manifestações, como os delírios, alucinações, problemas de concentração, entre outras. 

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