domingo, 27 de setembro de 2015

Opinião: A Cidade e As Serras, de Eça de Queirós



Sinopse retirada do site da Bertrand:

A «novela fantasista»como Eça de Queirós chamou à Cidade e as Serras denuncia um aspecto importante da vida do escritor. 
A partir dos trinta anos, Eça escreve várias cartas aos seus amigos em que denuncia essa ânsia por uma vida de família que o retempere do «descampado do sentimentalismo» de que estava cansado. 
A autenticidade da fotografia que reproduzimos - Eça de Queirós com sua filha - é um documento complementar deste livro, não só por ser contemporânea da sua feitura, como pelo ambiente de paz de que é expressão.



Opinião: Esta crítica não será muito longa, pois não gosto muito de publicar as minhas opiniões acerca de clássicos, principalmente clássicos portugueses. Além disso, não é habitual escrever uma opinião sobre um livro que tenha que ler para a escola (neste caso, para a Universidade). Portanto, só direi algumas coisas básicas.


Primeiro, como este é apenas o segundo livro que li do autor, tenho que salientar o quão sublime é a sua escrita. Bem, não é por nada que Eça de Queirós é o grande escritor do Realismo português! Sem grandes floreados, mas detalhada.

Segundo, não gostei das personagens... Se a prima Joaninha tivesse sido mais explorada, ela teria sido a minha preferida. Contudo, o autor não investiu muito no desenvolvimento das personagens ao longo do livro, a não ser quanto a Jacinto. Em relação a Jacinto, é notável a mudança da sua opinião face à vida campestre. Na primeira metade do livro, temos um Jacinto muito citadino, um homem que só se interessa por maquinarias. Já na segunda metade, Jacinto está mais reticente quanto às "tecnologias" do seu tempo e prefere passar o seu tempo rodeado pela Natureza. Apesar desta pequena mudança, não gostei da falta de profundidade das personagens. Porém, isso, talvez, deve-se ao facto de Eça de Queirós ser um escritor do Realismo, que não se interessa pelas emoções, mas sim pelo real, isto é, o Realismo preocupava-se com o retrato do homem e da sociedade, sendo que um grande traço característico deste movimento é o lado crítico. Como sou uma romântica incurável, é raro adorar obras do Realismo.

Terceiro, não gostei do enredo. Tal como as personagens, não tem grande profundidade. Aliás, o livro acaba por ser repetitivo: temos sempre aquele contraste entre a vida citadina e a vida nas serras, no campo, e isso acaba por, de certo modo, ser um pouco "enjoativo". Na minha opinião no Goodreads, que também não foi muito longa, acabei por admitir que, em termos de profundidade da história, Os Maias é uma obra muito mais complexa e, por conseguinte, mais interessante do que A Cidade e As Serras.

Concluindo, tenho sempre um certo receio quando pretendo escrever opiniões sobre clássicos portugueses. Todavia, penso que o que escrevi aqui é o suficiente para expressar aquilo que penso sobre Eça de Queirós: reconheço que é um grande escritor, que contribuiu imenso para o enriquecimento da literatura portuguesa, uma vez que é O grande escritor do Realismo português. No entanto, esta obra, A Cidade e As Serras, não me cativou.

Classificação: 6.5/10 estrelas

Sem comentários:

Enviar um comentário