sábado, 15 de agosto de 2015

Opinião: Em Parte Incerta, de Gillian Flynn



Sinopse retirada do site da Bertrand:

Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…
Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo - mas será mesmo um assassino?
Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?

Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.



Opinião: Caros leitores, estamos perante um livro incrivelmente aterrorizador! Vibrante, tóxico e deslumbrante. Tem todas as qualidades que um thriller psicológico deve apresentar: mexe com a nossa mente de uma forma extremamente alucinante!

Em Parte Incerta foi considerado o livro do Ano (em 2012) pela Publisher Weekly, pela Amazon, pela Barnes & Nobles, tendo sido também o número 1 do top de New York Times. Sinceramente, mereceu todas as belas críticas que lhe foram direcionadas. Gillian Flynn é uma autora muito inteligente: tudo muito bem planeado, não só o enredo, como também a construção das personagens, a pesquisa que realizou em relação à área jurídica. Tudo foi feito de modo meticuloso, detalhado. Gillian Flynn está de parabéns.


Em relação ao enredo, penso que o melhor é mesmo a 2ª e a 3ª partes do livro. A obra está dividida em três partes, de acordo com o desenrolar da ação. A primeira, temos, praticamente, a apresentação das personagens: Nick como um homem arrogante, egocêntrico e impaciente que despreza a sua mulher, afirmando mesmo que já não a ama; Amy como uma mulher inocente, vítima de um homem egoísta e carrancudo, uma mulher que tem medo do seu próprio marido. Depois, temos o desaparecimento de Amy e a polícia e o público a culpa o marido problemático. Até aqui, apesar de a ação se desenrolar com toques interessantes, ainda não estava muito "apaixonada" pela história. No entanto, quando comecei a 2ª parte, a ação ficou logo muito mais interessante, cativante, explosiva. Com a 3ª parte, a leitura tornou-se ainda mais compulsiva e irresistível, tal como tinha acontecido com a 2ª parte. Aliás, é nessas duas partes que conhecemos melhor estas personagens tão peculiares e tóxicas. Acerca do final, penso que a autora conseguiu um fim jeitoso, de modo a satisfazer o leitor, mas também deixando no ar aquela possibilidade de o leitor poder, um dia, ler mais um livro sobre Nick e Amy. Se isso acontecer, vai ser muito interessante, acreditem!

Quanto às personagens, e como tinha dito anteriormente, Nick e Amy são, realmente, pessoas tóxicas, formando um casal infeliz. Ambos têm medo de um e do outro. Ambos desejam ter a sua própria vingança. É verdade que, ao longo do desenrolar da ação, eu estive sempre contra Nick. Sempre. Mesmo sabendo, depois, quem era Amy na realidade. Aí, também fiquei contra ela. Deste modo, acho que a autora não queria que o leitor apenas pensasse que haveria uma personagem angelical e outro diabólica, mas ela elaborou personagens que pudessem mexer com a nossa cabeça. E é por isso que digo que esta obra tem todos os ingredientes que um thriller psicológico deve ter: deve fazer o leitor pensar (e muito!) e refletir acerca dos assuntos retratados. Deve fazer o nosso cérebro mexer, deve fazer o nosso foro psicológico funcionar. E Gillian Flynn conseguiu isso. Apesar de ter ficado contra ambas as personagens, também tive compaixão por elas e refleti sobre a sua situação. Foi uma aventura deveras interessante. As outras personagens, como Margo (irmã de Nick), Andie, Desi, entre outras, também foram elementos fulcrais para o desenvolvimento da história, contribuindo imenso para criar um fantástico thriller psicológico.


Quanto à escrita, a autora tem um discurso fluente, eloquente, magnífico e engenhoso. Flynn tem a escrita ideal para um thriller. Sabe fazer as descrições corretas, sabe transmitir as reviravoltas corretas, tudo numa velocidade alucinante, principalmente, nas duas últimas partes do livro. Uma escrita simples, cativante e arrepiante. Muito arrepiante e hipnotizante. 

Em conclusão, eu pensava que nunca iria gostar de ler um thriller. Já tinha lido um livro ou outro que envolvesse polícias, detetives, tribunais e assassinatos, mas nunca me cativaram porque nunca foram livros surpreendentes. Todavia, Gillian Flynn criou uma obra extraordinária para quem adora thriller, principalmente aqueles que mexem com a nossa cabeça e com o nosso coração. Em Parte Incerta merece todo o louvor que tem recebido ao longo destes anos e ainda bem que teve uma adaptação cinematográfica, pela qual estou entusiasmada por ver, pois também recebeu críticas muito boas. Posto isto, Em Parte Incerta foi uma leitura explosiva, surpreendente, com reviravoltas impressionantes, personagens credíveis e extraordinariamente reais e um enredo bem estruturado e fascinante, fazendo-nos refletir muito, fazendo-nos colocar a seguinte questão: Conhecemos, de facto, as pessoas que amamos?

Classificação: 10/10 estrelas

Sem comentários:

Enviar um comentário