segunda-feira, 27 de julho de 2015

DNF: Gente Feliz com Lágrimas, de João de Melo


DNF: Significa Did Not Finish (Não acabado/ não terminado).



Sinopse retirada do site da Bertrand:
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Uma saga que irresistivelmente arrasta o leitor ao longo de cinco mundos, vividos e pensados através da obsessiva busca da felicidade que move os seus protagonistas. Concebida polifonicamente como a descrição dos vários modos de viver a amargura que medeia entre o abandono da terra e o retorno ao domínio do que é familiar, esta peregrinação possível em tempos de escassez de aventura é a definitiva lição de que o regresso se não limita a perfazer o círculo e constitui uma visão fascinante do Portugal que todos, de uma maneira ou de outra, conhecemos.



Opinião: Esta é a quarta vez que desisto de uma leitura este ano.... Não, não deu para terminar este livro... Eu bem que queria, pois é um autor açoriano (também sou açoriana) e, até hoje, só tinha lido um livro da literatura açoriana. Por isso é que escolhi ler este romance, que é um dos mais conhecidos da literatura dos Açores.

Como tenho feito nas opiniões acercas das leituras que eu desisti de continuar, irei apresentar duas listas- uma positiva, outra negativa.

Aspetos positivos:
  1. Escrita poética, com toques da oralidade rural: Apesar de ser complexa e, muitas vezes, uma pura seca, gostei do vocabulário usado, rico e variado. Além disso, como a ação ocorre em S.Miguel, o autor, também como micaelense, usou várias palavras do nosso excelente vocabulário rural. Adorei isso nesta obra.

  2. Vários pontos de vista: Os narradores vão mudando de acordo com os capítulos ou mini-capítulos. A obra está dividida em partes e foi apenas a primeira parte que eu li, mas nem conclui. Ainda assim, nesta primeira parte, temos três narradores, que são três personagens: Maria Amélia, Nuno Miguel e e Luís Miguel, todos irmãos. Ao termos diversos pontos de vista, a história acaba por ser mais diversificada e interessante, apesar de não ter sido capaz de concluir a sua leitura. Cada personagem relata sobre as suas dificuldades, os seus desejos e as suas vivências. Só gostei de Maria Amélia. Embora tenha sentido compaixão pelas outras personagens, elas não me cativaram tanto como Maria Amélia. Deste modo, só "criei" uma ligação com Maria Amélia.

  3. Bom para os continentes, se quiserem saber mais sobre os açorianos, principalmente dos micaelenses: Talvez acabe por ser uma leitura chata para os continentais (bem, quanto a mim, foi uma seca), mas é um bom romance para quem queira saber mais vocabulário dos micaelenses e, claro, os seus costumes e modos de vida.



Aspetos negativos:
  1. Pura seca: Como referi acima, a escrita teve os seus momentos poéticos, mas também teve os seus momentos negativos. Houve momentos de confusão, em que eu facilmente me perdia no enredo. Ou era porque o narrador enrolava muito a "conversa", ou então, simplesmente, esta não foi a altura ideal para eu ler este romance. De facto, se querem que eu vos diga, isto não é ideal para ser uma leitura de verão. A escrita é complexa, o leitor tem que estar MUITO atento e, não façam como eu: não leiam esta obra depois da meia-noite, pois terão tendências para adormecer!

  2. Enredo confuso: Eu pensava que os narradores eram crianças. Aliás, a maior parte do que é narrado é sobre a infância das personagens. Porém, devido à escrita, acabamos por perceber que não são crianças. Claro que isso não seria um problema... se não fossem as constantes prolepses (prolepse- antecipação, no discurso narrativo, de um evento acontecido mais tarde no plano da história (opõe-se à analepse)!!! Porque é que a história não é narrada de forma linear? Assim, o leitor não se sentiria tão perdido!

  3. Volto a repetir: não me parece que seja uma leitura ideal para o verão!


Concluindo, devido à sua escrita complexa, que exige um pouco de concentração, e aos momentos confusos pela narração que não segue uma ordem cronológica linear, decidi desistir desta leitura. Estava a custar-me muito e não estava a ficar satisfeita. É verdade que é a quarta vez, este ano, que desisto de uma leitura. No entanto, penso que não vale a pena um leitor sentir-se forçado a ler algo que não está a gostar só porque não fica bem! Ainda assim, hei de ler este livro no futuro. Aliás, acho que vou falar nele na universidade, por isso... Até logo, Gente Feliz com Lágrimas!

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