quarta-feira, 13 de maio de 2015

Opinião: Puros, de Julianna Baggott


Sinopse retirada do site da Bertrand: Depois de uma série de detonações atómicas destinadas a exterminar grande parte da Humanidade, apenas uma pequena elite de puros deveria ter sobrevivido, protegida dentro da Cúpula até que a Terra se regenerasse por completo. Mas não foi isso que aconteceu... Muitos foram os que sobreviveram às explosões, deformados, com mutações terríveis, refugiados entre as ruínas da cidade, num clima de opressão por parte da milícia entretanto formada, que os aterroriza e explora. Pressia Belze é uma jovem de dezasseis anos, uma mutante que tenta fugir à milícia; Partridge é um rapaz da elite, um Puro atormentado pela suspeita de que um plano secreto está a ser desenvolvido pela elite científica da Cúpula. Numa terra devastada, os caminhos destes dois jovens acabam por se cruzar, dois sobreviventes em busca de um futuro menos sombrio, que nem desconfiam do laço secreto que os une…


Opinião: Sinto-me um pouco agridoce em relação a este livro. Por um lado, gostei muito do mundo criado (as consequências da mistura da nanotecnologia com radiações nucleares), ou seja, adorei a parte relacionada com a ficção científica. Por outro lado, a história ficou um pouco aquém devido às personagens. E já passo a explicar porque digo isto. 

Em relação à escrita, não me pareceu ser especial. Sim, era simples, tinha os seus momentos fluídos e cativantes, mas nada de extraordinário. Aliás, ficava irritada com as demasiadas frases curtas... É verdade que as frases curtas são muito boas para uma leitura agradável, mas penso que este livro tinha em demasia... Além disso, nota-se a "tentativa" de escrever uma prosa com um toque poético. Não gostei. Penso que numa história como esta, que deveria estar repleta de factos (mesmo que sejam ficcionais), não há necessidade nenhuma de haver uma prosa poética. É preciso ser conciso, direto e interessante. Ainda assim, como já disse, a escrita da autora consegue ser simples, mas não se destaca entre outros autores que escrevem ficção científica, mundos apocalípticos e mundos distópicos.

Em relação às personagens... Não gostei do facto de a escritora ter "enchido" o livro com as lembranças deles. Sim, percebemos que todos tiveram vidas antes das explosões atómicas. Sim, percebemos que têm saudades das vidas que tinham. Mas, por favor, não é preciso "palha"... Basta uma lembrança ou outra sobre a infância e pronto... Não me parece necessário tantos pormenores acerca das infâncias das personagens que, na sua maioria, agora, são adolescentes. Só uma me cativou, que foi o Bradwell, devido à sua convicção nas suas crenças e teorias. É um jovem muito determinado e corajoso, por isso, gostei muito dele. Quanto à Pressia, a protagonista feminina, também é forte, determinada, mas não me cativou, não me convenceu. O protaganista masculino, Partridge, também foi outro que não me tocou profundamente. Deste modo, podem ver que, pelo menos para mim, a autora não precisava de ter falado tanto nas memórias das infâncias deles... Não me fizeram diferença nenhuma e a maior parte delas nem são importantes para o enredo, a não ser umas canções e outros objetos que, de facto, são essenciais para o desenvolvimento da ação e foram um dos pontos altos do livro, pois foram bem elaborados e, portanto, bem conseguidos.

Em relação ao enredo em si... Bem, adorei, claro, a parte da ficção científica, como referi inicialmente. A nanotecnologia e as explosões nucleares, em conjunto, originaram um resultado extraordinário e grandioso, isto é, os seus efeitos foram terrivelmente gigantescos. Por exemplo, Pressia, como tinha uma boneca na mão na altura das explosões, tem a cabeça da boneca a substituir a mão! E há outras atrocidades que advêm desses ataques atómicos e da nanotecnologia. Eu gostei muito dessa parte do enredo. Entretanto, temos os Puros, aqueles que não sofreram os ataques e que estão confinados dentro de uma Cúpula. A autora tinha tanto para explorar acerca dessa Cúpula, mas mal falou nela... Que desilusão... De facto, acabamos por saber que muitos deles não são, efetivamente, Puros, isto é, realmente não têm defeitos físicos, mas estão relacionados com os tais ataques, como é o caso do pai de Partridge. Porém, a autora deveria ter explorado mais a Cúpula, a não ser que o faça no segundo volume. 
Além disso, penso que o enredo perdeu o seu encanto quando a autora decidiu dar muita importância à parte romântica... Não gosto de nenhum dos pares românticos criados, uma vez que, bem, eles mal se conhecem! Não quero spoilar, mas tem um casal que se conheceu num dia, passaram por alguns obstáculos complicados, e pronto, agora estão perdidamente apaixonados e um não pode viver sem o outro. A escritora não deveria ter feito nada quanto ao romance, pois não era necessário. Com isso, ela simplesmente perdeu a brilhante linha de narrativa que tinha construído: a imperfeição da Cúpula, as conspirações à volta da Cúpula e da OSR (uma organização que vive fora da Cúpula e que praticamente controla os sobreviventes defeituosos), a nanotecnologia... Enfim, o livro perdeu a magia porque a autora decidiu que deveria fazer como os outros livros de grande popularidade: criar uma ou duas relações amorosas e pronto. O problema é que, nos tais livros conhecidos que já li ( Os Jogos da Fome, Divergente, etc), as relações amorosas fazem sentido e contribuem para o enriquecimento da ação. No entanto, neste livro, simplesmente não fazem isso. Pelo menos, para mim não fazem sentido nenhum.

Concluindo, é um livro que se lê, tem certas premissas interessantes (as partes de ficção científica). Porém, para mim, perdeu o seu encanto quando a autora valorizou demasiado as vidas anteriores das personagens adolescentes e as suas relações amorosas. Certas informações eram desnecessárias, bem como certos sentimentos. Ainda assim, os enigmas que criou em relação às conspirações acerca da Cúpula e das explosões, a fusão da nanotecnologia com as explosões... Isso sim, é que é interessante e fantástico, e a escritora deveria ter explorado muito mais essas partes científicas. Portanto, espero que o segundo volume seja melhor.

Classifcação: 7.5/10 estrelas (Quem me dera ter dado mais mas, se o tivesse feito, seria somente devido à parte da ficção científica, que é uma ideia estupenda, mas mal explorada e que acabou por se perder no meio das vivências das personagens).

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