sexta-feira, 22 de maio de 2015

Opinião: 28 Dias, de David Safier

Estou a ler
Sinopse retirada do site da Bertrand: Varsóvia, 1943. Mira, uma jovem de 16 anos, sobrevive graças ao contrabando de alimentos no gueto onde os nazis aprisionaram os judeus. O seu único objectivo é o de proteger a mãe e a irmã mais nova. Quando os habitantes do gueto começam a ser deportados para os campos de concentração, Mira junta-se à Resistência. Na maior aventura das suas vidas conseguem fazer frente às SS muito mais tempo do que haviam imaginado. 28 dias. 28 dias nos quais Mira terá de decidir a quem pertence o seu coração. A Daniel, um rapaz que toma conta das crianças órfãs, ou a Amos, um membro da Resistência, cujo objectivo é matar tantos nazis quanto possa.

David Safier arrancou sorrisos de milhões de leitores em todo o mundo com Maldito Karma. Agora leva-o ao limite da emoção com um grande romance, sobre o amor e a coragem, passada num dos episódios humanos mais esmagadores da História.



Opinião: Todos os livros que tenho lido sobre a Segunda Guerra Mundial são maravilhosos e muito comoventes, e este não é exceção! Adorei este livro! Com uma escrita fluída, mas realista e carregada de emoções, este livro surpreendeu-me pela positiva. 

É um livro de reflexão, ou seja, faz o leitor pensar acerca da humanidade e dos vários sentimentos e pensamentos nos momentos mais escuros da raça humana que, neste caso, é a Segunda Guerra Mundial. É uma história que nos faz pensar naquilo que queremos ser como pessoas: queremos ser boas, lutar por uma boa causa, ou queremos lutar por uma causa que nos pode dar conforto, mas não é a mais correta? É exatamente o que acontece quanto aos judeus do gueto, como Mira, que muitos querem lutar pela sua liberdade, e depois temos as tropas alemãs, que não se querem meter em sarilhos e fazem tudo o que os superiores dizem. É um livro sobre coragem perante a escuridão assustadora, a ânsia pela liberdade, o poder da família, a sobrevivência a todo o custo e o amor que sempre existirá no nosso mundo, se nós o mantivermos vivo nos nossos corações. 

Em relação à escrita, como referi, é muito fluída, emocionante e realista. Estamos perante um narrador autodiegético, ou seja, é  a personagem principal, Mira, que nos narra a história. Ao longo da leitura, sempre senti que ela estava a contar a história diretamente para mim, como se estivesse a relatar tudo ao meu lado, e isso é uma característica que aprecio muito num livro, isto é, o facto de ser narrado de uma forma tão direta que, depois, causa um grande impacto no leitor. Senti-me muito próxima à história e ela tocou-me profundamente, tudo graças à escrita simples e cativante do autor. Ele sabe escrever de forma séria e sábia, mas também tem os seus leves toques de humor, certos diálogos entre as personagens que nos fazem sorrir, apesar de ele escrever sobre um momento horrendo da História da Humanidade. Portanto, adorei a sua escrita: concisa, simples, fluída, cativante e carregada de emoções e com um certo toque poético fabuloso.

Quanto às personagens, o autor fez um excelente trabalho! Temos um vasto e diverso elenco nesta história magnífica! Há as personagens com bom espírito, depois há aquelas que têm uma maneira de ser extremamente pobre. Há personagens que, mesmo nesta situação escura e cruel, conseguem ver esperança no amanhã. Há cobardes, corajosos, fortes, fracos, maus, bons. Temos tudo neste livro.
Temos Mira, que faz tudo por tudo para garantir a sua sobrevivência e a da família. É uma rapariga forte, determinada e plenamente consciente da realidade que vive. Ela enfrenta todas as adversidades e, mesmo que fique extremamente ferida, ela luta ainda mais para ver a luz do dia seguinte. Mas também tem as suas próprias dúvidas, medos, receios e conflitos interiores. Questiona-se muito acerca da sua própria humanidade, critica aqueles que traíram os judeus, condena os soldados que admiram Hitler e aqueles que ajudam esses mesmos soldados. Sofre, ainda, por amor, ao ponto de arriscar a sua vida por Amos e Daniel. Não, não me parece que estejamos perante um triângulo amoroso, como evidencia a sinopse (algo que não gostei quando acabei o livro: a sinopse indica que um aspecto importante da história é o triângulo amoroso que, para mim, nem existe). Sim, ela tem dúvidas quanto aos seus sentimentos por Amos, apesar de estar com Daniel, porém, ela acaba por ver o que é verdadeiro e o que não é. Assim, gostei muito desta personagem: forte, mas com as suas inseguras; corajosa, mas com os seus momentos de fraqueza; revoltada, mas com um coração puro para dar e merecedora de muito amor.
Outra personagem que adorei foi Amos. É aquele tipo de personagem que consegue ser positivo, carinhoso e maroto no meio de uma situação deveras complicada. Também é alguém que adora ajudar os outros, que suporta uma boa causa e que não deixa para trás aqueles que ama. Logo, fiquei completamente rendida a este jovem.
Depois há o Daniel... Tenho sentimentos muito contraditórios. Gostei muito da sua bondade, mas houve vezes em que ele era demasiado "doce". Na opinião dele, aquilo que ele pensava é que era o mais correto e depois condenava quem pensasse o contrário. Não gostei de certas reações que ele teve com Mira. Ela não merecia, pois só estava a fazer o melhor que podia, mas ele parecia não compreender isso. Ainda assim, por um lado, entendo o rapaz.
E foi isso que gostei neste livro: vemos sempre dois lados de várias personagens e acabamos por entender ambos.
De facto, penso que o leitor cria facilmente uma ligação com este leque extraordinário de personagens fascinantes.

Quanto ao enredo em si, acho que já deu para perceber que adorei. O livro, como fala da Segunda Guerra Mundial, é baseado em factos reais e, efetivamente, nota-se o excelente trabalho que o autor teve quanto à pesquisa. Reparei que deve ter sido muita detalhada e concisa. O próprio autor indica que as personagens são fictícias, uma vez que, desta forma, teria uma maior abertura e estaria mais à vontade quanto ao progresso da ação. Todavia, ainda assim, estas personagens são representações das pessoas que viveram nesta guerra horrível. Aqueles que sofreram por terem sido judeus, aqueles que lutaram para exterminar os inimigos de Hitler, aqueles que nunca perderam a esperança e lutaram por uma boa causa e aqueles que desistiram de lutar pela vida. Deste modo, estamos perante um enredo rico, complexo devido às diversas emoções fortes misturadas, maravilhoso e realista. É um retrato magnífico do sofrimento imposto pela Segunda Guerra Mundial e da esperança daqueles que sempre pensaram em ver um amanhã melhor e luminoso.


Em suma, aconselho a leitura deste livro a qualquer pessoa. Não podem perder este quadro negro, emotivo e grandioso sobre os momentos mais negros da Segunda Guerra Mundial. É um livro que vale a pena ler, não só pela sua escrita cativante, emocional e maravilhoso, como pelas personagens extraordinárias e criadas de forma sublime e realista. Recomendo.

Classificação: 10/10 estrelas

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