segunda-feira, 20 de abril de 2015

Opinião: Memorial do Convento, de José Saramago

Estou a ler
Sinopse retirada do site da Bertrand: «Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: "Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra... Era uma vez a gente que construiu esse convento... Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes... Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido". Tudo, "era uma vez...". Logo a começar por "D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (...). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.» (Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998).


Opinião: Bem, finalmente acabei de ler este livro. Li esta obra porque faz parte do programa de Português do 12°ano, mas também porque, até agora, nunca tinha lido uma única obra do vencedor do Prémio Nobel de Literatura, em 1998. A própria Academia Sueca afirmou que Saramago, "com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade fugidia". Foi também louvado devido à ''qualidade da prosa'' e ao ''humanismo dos temas''. Portanto, sempre tive curiosidade quanto à escrita deste autor reconhecido internacionalmente.

Começando pela opinião propriamente dita, o romance, na primeira parte, isto é, nas primeiras duzentas páginas, foi muito interessante de se ler. Surpreendentemente, adaptei-me facilmente à escrita inovadora e única do romancista. De facto, reconheço que a sua escrita, ao não obedecer propriamente às regras da escrita, principalmente nos diálogos, acaba por ser notável e dá um certo toque sublime à obra. Não é qualquer pessoa que pode alterar a escrita desta forma, e Saramago fez um trabalho estupendo e merece toda a aclamação que tem recebido, mesmo após a sua morte.

No entanto, não gostei nada do enredo... quer dizer, como estava a dizer, as primeiras 200 páginas foram boas, mantiveram-me interessada e lia facilmente, mesmo com uma escrita totalmente diferente e repleta de descrição. Porém, chego à segunda parte e dá-me vontade de dormir... A história deixou de ser interessante, mas sim maçadora, as descrições começaram a tornar-se excessivas e aborrecidas e o enredo foi por um caminho demasiado estranho.... Por exemplo, odiei o final... Tanta coisa para depois acabar daquela maneira? Enfim... Além disso, por vezes, sentia-me perdida com aquelas descrições chatas sobre os bois, as dificuldades no caminho até o Convento e coisas assim... Para mim, eram mais ''palha'' do que outra coisa....

Deste modo, em relação ao enredo e às personagens, estava a gostar do rumo inicial. As personagens pareceram-me apelativas, únicas e complexas. Gostei principalmente de Blimunda, uma vez que, apesar de ser mulher, tinha uma mente aberta e uma forma de pensar extremamente interessante e cativante. Não podemos esquecer que, nos séculos anteriores, as mulheres eram completamente dominadas por serem consideradas seres pertencentes ao ''sexo fraco''; contudo, Saramago construi uma personagem feminina forte, inteligente e  determinada. Também gostei do significado do seu, digamos, novo apelido, Sete Luas. Ela tinha o poder de ver além da ''escuridão'', ou seja, via o interior das pessoas, e não apenas aquilo que via no exterior. As outras personagens, como as que pertenciam ao povo ou eram contra o poder, também pareceram-me interessantes graças à sua complexidade, enquanto as personagens do poder, como D. João V e a rainha, eram simplórias e acabavam por ser ridículas.
Mas, como estava a dizer, eu estava a gostar do romance, mas a segunda metade do livro estragou tudo. Aborrecida, demasiado descritiva, e o fim foi demasiado apressado. Até cheguei a pensar: mas por que raio li 400 páginas para depois acabar assim? Que maçada...

Concluindo, reconheço que estamos perante um grande escritor português, com uma escrita completamente inovadora, única e marcante, repleta de ironia e sabedoria. Ainda assim, tenho que ler mais obras do autor. Penso que, talvez, o escritor tenha escrito livros muito mais entusiasmantes do que este...

Classificação: 7/10 estrelas 

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