sexta-feira, 27 de março de 2015

Opinião: A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak

Estou a ler
Sinopse retirada do site da Bertrand: Quando a morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito activa na recolha de almas vítimas do conflito. E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado. Ao longo dos anos, Liesel continuará a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que irá sempre utilizar um registo pouco sentimental embora humano e poético, atraindo a atenção de quem a lê para cada frase, cada sentido, cada palavra. Um livro soberbo que prima pela originalidade e que nos devolve um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e acima de tudo pelo amor à literatura.


Opinião: Lindíssimo! Sim, meus caros leitores, estamos perante um livro magnífico! Original, poético e marcante, A Rapariga Que Roubava Livros é um livro que retrata o poder enorme que as palavras possuem, a esperança e a vida num tempo tão sombrio e triste como a Segunda Guerra Mundial.

Em relação à escrita, o autor ilustrou estas páginas com palavras simples e belas, vindas da boca de um narrador tão único como a Morte. Sim, perceberam muito bem. O narrador desta história marcante é a Morte, que acaba por ser personificada, ou seja, acaba por agir como um ser humano. Tem pena das personagens que sofrem, mas sente-se feliz quando estas vivem uma porção de alegria. Vemos uma Morte com compaixão e que adora os humanos e a sua complexidade e diversidade. Portanto, sim, o autor é um mágico. Pegou numa figura tão obscura como a Morte e transformou-a numa entidade encantadora e sentimental. Deste modo, estamos perante uma escrita magistral, arrebatadora e poética. Aliás, este escritor é como um pintor: pintou as suas páginas com palavras coloridas, lindas e cheias de vida, apesar de falar sobre um tempo escuro e repleto de morte e sofrimento. Sim, é um pintor incrível.

Quanto às personagens, é impossível não amá-las ou não sentir uma certa ligação e compaixão com elas. Liesel, uma menina que conheceu o sofrimento desde pequena, acaba por ganhar forças através das palavras; Rudy, um menino repleto de sonhos, nunca deixou de ser um rapaz carismático, mesmo com as adversidades presentes na sua vida. Foram estas as personagens que mais me marcaram, mas este livro está recheado de personagens incríveis, cheias de força de vontade, cheias de esperança por um futuro melhor num mundo negro, cruel e injusto. Há ainda o Max que, tal como Liesel, encontrou refúgio nas palavras e foi assim que permaneceu vivo. Assim, verificamos um lindo e vasto leque de personagens, todas com as suas dores, todas com os seus sonhos dentro de si.

O enredo, no geral, é como uma teia de aranha construída de uma forma magnífica e cuidadosa. É uma história (ficcional, claro) que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, numa Alemanha nazi e marcada pela pobreza e pela dor. E foi isso mesmo que o autor nos mostrou: um país devastado, pobre e triste que, a todo o custo, tentava colorir um pouco a sua vida. Eu tenho um grande interesse face às guerras mundiais e, de facto, este livro cativou-me e marcou-me profundamente.

Em suma, tinha grandes expetativas em relação a este livro e elas foram facilmente superadas. Eu sei que já disse várias vezes que li livros poéticos e com uma linda escrita. No entanto, com uma escrita simples e encantadora, carregada de símbolos brilhantes e de sentimentos puros, este livro merece todo o sucesso que adquiriu até agora. É um livro com uma mensagem especial (que está bem resumida pela frase presente na capa criada a partir da adaptação cinematográfica da obra): "a coragem nascida das palavras", ou seja, as palavras, os livros, são máquinas capazes de mudar as nossas vidas e o mundo.

Classificação: 10/10 estrelas

Sem comentários:

Enviar um comentário